Quando se é imortal não ter pedido pra nascer é um problema quase sem solução. Mas logo chegaria o fim. Dionisio foi teado e escolhido para encerrar o universo. No Olimpo Zeus aguardava tranquilo enquanto no Salão Principal a Alavanca era puxada devagar.
Chega de ser imortal.
Chega desse mundo.
Dionísio não achou a escolha justa. Não queria terminar com o mundo.Só puxou um pouco.
O mundo deu uma pequena acabada.
A Avenida Paulista não é um lugar especial mas por algum motivo quando ele puxou a alavanca, o mundo deixou de existir ali e somente ali. Toda sua extensão era um imenso nada onde antes havia universo.
Onde antes havia avenida.
Todas as pessoas não eram mais, nem seu veículos, nem suas roupas, nem seus cafés com leite nem seus lanches.
Um ônibus deixou de existir no meio.
Uma mulher deixou de existir no meio.
Não é uma sensação agradável.
Dionísio gostava de tudo. Gostava da imortalidade e de si mesmo. Gostava de experimentar todas as coisas.
Você não sabe o quanto alcool bate bem quando você tem divinismo em seu sangue.
Maconha bate bem.
LSD bate bem.
LSD não é a mesma coisa na Terra e no Panteão. LSD é Lista de Situações Desastrosas.
Essa situação é desastrosa e não constava nela.
Serragem. Suco de laranja. Ecstasy, pão de ló e qualquer pedra no meio do caminho.Quando se é um deus qualquer coisa bate bem e Dionísio é quem mais sabe disso.
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E lá estava Dionísio que não queria encerrar o mundo mas ele tinha que acabar.
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Era 21/12/2012.
Os maias estavam errados. Os maias não sabiam de nada e andavam pelados, mas quase acertaram o fim do mundo.
O universo é cheio de coincidências.
Zeus ficou puto quando um zé ninguém olhou pro céu trovejante e chutou "tem alguém lá em cima muito bravo", e todos acreditaram, e ergueram estátuas em sua homenagem.
Zeus era onisciente e sabia que essa era só mais uma das coincidências estranhas do universo.
Como os maias acabando o calendário com Dionísio puxando a alavanca.
Eles nem viveram até lá. Não eram oniscientes, não viram os espanhóis vindo. Resta a data, comicamente correta, tragicamente errada.
Era 22:14:56. Tempo na Terra, na Avenida Paulista. No Olimpo o dia clareava pelo que parecia uma década, cortesia de Apolo e a caixinha de remédios de Dionísio.
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O prédio da Gazeta não existia mais e o café também não.
Não dá pra contar nos dedos das mãos dos Hecatônquiros o número de pessoas que naquele momento temiam o fim do mundo.Tudo por causa dos maias. Não era pra ninguém saber. Zeus sempre soube que as pessoas saberiam, mesmo pegando a informação no lugar errado.
Não tinha nada a ver com planetas.
Não tinha nada a ver com Quetzalcoatl.
Que se danem os maias.
Zeus só achava que era hora encerrar o expediente.
Sempre soube que era assim que acabaria.
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Nada existia na Paulista e uns milhares de pessoas acreditavam seriamente que o mundo acabaria e morreriam e qual foi a sua surpresa?
Morrer não é deixar de existir.
Morrer não é puxar uma alavanca.
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Dionísio não queria que o mundo acabasse. Pôs a alavanca no lugar. Queria mais tempo. Sempre soube que queria mais tempo.
Essa era uma situação desastrosa.
Nunca esteve na Lista de Situações Desastrosas.
O atraso do fim de tudo.
Zeus estava errado, os maias estavam errados.
Dionísio desapareceu.
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A alavanca estava de volta no lugar e o universo estava de volta no lugar. A Avenida Paulista era uma só e o mundo não acabou, só ela e algumas milhares de pessoas. Não dava pra contar nas mãos de cem Hecatônquiros. Cada um tem cem braços, faça as contas e acrecente mais.
Se mais pessoas acreditassem nos maias a Avenida Paulista estaria mais cheia. Mais pessoas saberiam que tudo acabou em 21/12/2012. Mais pessoas olhariam pra si mesmas confusas e desapontadas.
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Chovia desesperadamente. Como se a água quisesse punir o chão, que não havia provocado nada.
Dionísio puxou a alavanca e a escala é difícil de explicar, mas quando o universo começa a acabar a água pune o chão sem motivo.
A alavanca só havia mexido um pouco.
Dois cigarros acesos no café, dois fumantes mais molhados que a lona que os protegia da chuva. A alavanca mexeu mais um pouco e nada existia, nem café, nem cigarros, nem fumantes, nem meio ônibus nem meia mulher.
A alavanca mexeu mais um pouco e tudo existia outra vez.
Meia mulher desapontada.
Meio ônibus sem rumo.
Dois cigarros existiam de novo no café, mas não exatamente. Duas chamas acesas mas apagadas. Dois fumantes olhavam um pro outro mas só viam a si mesmos.
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Alana às vezes se perdia. Às vezes se apaixonava. Talvez fosse a mesma coisa.
Era completamente normal.
Completamente feliz.
Namorava um garoto tão parecido com ela que as vezes doía. Como olhar no espelho e perceber que por muito tempo você não viu o seu reflexo verdadeiro pois não estava prestando atenção.
A mente prega peças.
Seu coração parece parado.
Seu coração bate mais rápido do que ela pode perceber.
Alana não acredita nos maias mas seria bom se o mundo acabasse.
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Era ela segurando um cigarro. Era seu namorado segurando o outro. Seguravam nada aceso. Olhavam um pro outro e enxergavam a si mesmos.
Depois que você deixa de existir, mesmo que seja por um segundo, você sabe que deixou de existir.
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A não existência. Os mortos deixam de ser mortos e se tornam nada. Os vivos deixam de ser vivos e se tornam nada. Se tornar nada é uma experiência memorável que poucos puderam experimentar.
Os deuses não puderam experimentar.
A não existência não foi teada.
Alana tragou seu cigarro.
Logo antes do fim do universo.
Alana tragou seu cigarro.
Logo depois do fim do universo.
Zeus não sabia que isso ia acontecer.
Essa era uma situação desastrosa que entrou pra LSD.
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Não ter que se preocupar era uma das grandes vantagens de ser divino. As estátuas e os sacrifícios, ninguém pediu. Ser um deus deveria significar saber se, e quando, o fim de tudo chegaria. Zeus não sabia como se sentir, e achava que sabia de tudo.
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Ser uma Moira não era tão glorioso quanto ser um deus. As Moiras gostavam de existir e tecer o fim do mundo foi a coisa mais triste que fizeram.
Zeus só sabia o que as Moiras sabiam.
As Moiras pararam de tecer quando o universo meio que deixou de existir por um momento, ou pelo menos uma parte dele.
A Avenida Paulista deixou de existir.
Acabou-se o tear.
Essa era uma situação desastrosa.
Ninguém sabia onde estava Dionísio.
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Zeus era Onisciente mas superestimado é uma ótima palavra para descrever algo que só um grupo seleto pode experimentar.O Universo sabia mais que ele. Ser onisciente era saber o que as Moiras sabiam. De ponta a ponta, todo o tear.
O Universo não precisa ser teado.
O Universo só quer se divertir.
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Existe um plano, ninguém foi avisado ou previu, e ele termina no dia 31/12/2012. Ao som de fogos.
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"Isso não é viver" foram as primeiras palavras proferidas após o primeiro fim do mundo.
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Pra algumas pessoas o mundo acabou duas vezes. Os maias estavam errados. As Moiras sabiam, Zeus sabia, Dionísio sabia, mas não tudo. Só as pontas. Só o tear. O mundo já tinha acabado mas lá estavam todos eles, bilhões de pessoas e um panteão.
Alana e seu namorado.
Cigarros que já não existiam mais.
O mundo acabou duas vezes.
Para a Avenida Paulista, tudo acabou duas vezes.
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Os dez dias que se seguiram foram os mais estranhos da história. Angústia e incerteza eram as palavras mais comuns nos consultórios,em discursos que começavam com "eu não sei o que é isso, talvez seja só uma dor de cabeça". A psiquiatria teve os melhores dez dias da história, estranhos ou não. A medicina era tudo, mas só por causa das receitas. Era extremamente importante ser um médico. Ser um psiquiatra era mais. Só pelas receitas.
As farmácias estavam vazias mas talvez ficassem as bulas.
Vazias de produtos.
Cheias de pessoas.
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Remédio para a gripe talvez cure.
Uma coisa simples. Deve ser só uma dor de cabeça mesmo. Essa sensação.
Um Advil.
Dois.
Uma Sedalgina. Pingue Dipirona. Paracetamol.Parecetamol com fosfato de codeína.
Pra muitas pessoas sobreviver ao fim do mundo parece uma dor de cabeça insistente.
Pras pessoas que estavam na Avenida Paulista era não existir e existir novamente.
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Meio deixar de existir e meio voltar a existir é uma sensação terrível da qual, milagrosamente, somente alguns prédios, um ônibus e uma mulher sofreram.
Os prédios e o ônibus não compartilharam seu incômodo.
A mulher queria ir pra casa, mas ir pra casa não importava.
A mulher queria comer. Queria seu diploma e só faltavam alguns meses, no fundo queria ser rica, mas quem não quer?
Nem suas necessidades nem seus desejos importam depois do fim de tudo.
Meia mulher pensa isso.
O psiquiatra receitou Flufenazina.Esquizofrenia. Metade dela sabia que tudo já havia acabado.
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Metade de um ônibus lotado de pessoas que sabiam que algo estava errado, mas talvez fosse só uma dor de cabeça. Metade sabia do primeiro fim de tudo e só olhavam uns pros outros, pra si mesmos. Essa metade não foi trabalhar no dia seguinte, pois era sábado, nem no outro pois era domingo.
Havia o natal, muita gente estava de férias. Tranquila, aproveitando o feriado, a terça feira era um presente dos deuses, das moiras, do nascimento de jesus.
Ninguém dessa metade foi trabalhar até o dia 31, mesmo os que não estavam de férias.
Faltavam motivos.
Faltava vida.
Isso não era viver.
Não existir te esvazia por dentro.
Por uma questão de centímetros, ninguém no ônibus deixou de existir ao meio. Um esforço a mais que Dionísio sabia que não faria. O meio vazio é uma sensação terrível.
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Quem experimentou a não existência perdeu as esperanças de que tudo acabe. Quem sobreviveu ao fim do mundo só quer que essa sensação estranha passe.
Voltar a existir não é o mesmo que sobreviver.
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Alana não se achava especial nem nada, mas talvez fosse. Seu cigarro queimava uma chama que não existia e ela encarava seu namorado nos olhos e sentia que nada importava.
Alana era lógica. Louca, mas inteligente. Bonita acima da média. Chamava atenção mesmo ali, em um lugar onde se encaixava.
Quando não chovia o café e a Paulista eram cheios de Alanas. Mesmo antes do fim do mundo,embaixo da água incessante, você poderia encontrar algumas no Masp, de cabelos bagunçados pela humidade mas dane-se sua aparência, danem-se sua roupas molhadas, elas não se importavam. Depois do fim de tudo elas realmente não se importavam.
Alana era linda tragando um cigarro.
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Três coreanas apontavam pra ela e cochichavam algo que nenhum dos dois ouvia, mas certamente era em português.Passaram direto e subiram as escadas.
Comentavam suas roupas molhadas e as Moiras sabiam disso.
Tudo acabou.
Os cigarros já apagados estavam lá fora tomando chuva e os dois estavam lá dentro tomando chocolate quente que não existia.
Tinha sabor de chocolate.
Cheiro de chocolate.
Enchia o coração de felicidade.
Era tudo uma questão de obter as receitas certas mas Alana era diferente, estava um pouco cansada. Cansada e lógica.
É só uma questão de tempo.
A inexistência é absoluta, inevitável. O mundo vai acabar outra vez.
"- Isso é só uma sobrevida estranha" foram as primeiras palavras importantes proferidas na Avenida Paulista depois do primeiro fim, do mundo e de tudo.
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Zeus sem tear. Atena, Hades, Poseidon, Ares, todo o panteão. As Moiras. Ninguém via nada. Ninguém sabia quando o tudo acabaria. Era tudo uma questão de conseguir as receitas certas, os deuses tinham seus próprios meios.
Ser um deus significa que sua mente trabalha de uma forma muito legal e você experimenta a vida como uma viagem de ácido,só que onisciente.
Tudo bate bem.
Uma viagem infinita.
Exceto a não existência.
Ser uma Moira é tear porque você teou que tearia. Ser feliz sendo o que é porque escreveu que seria. As Moiras acreditavam mesmo nisso. O universo as deixou esperando no escuro pelo fim do universo, sem seu alimento do saber.
Saber de tudo. Saber do tempo. O universo prega peças. Se diverte.As Moiras sem tear, sem enxergar, se sua existência está completa quem é que você foi? Eram as pontas do tear e agora não se moviam, viviam ou morriam.
A felicidade também não importava depois do fim do mundo, as pessoas achavam que "sim, essa sensação vai passar, com Vicodin ou Fluoxetina".
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Deixar de existir com antecedência é uma sensação tão terrível quanto deixar de existir pela metade. É não estar num lugar que está. Só as Moiras experimentaram isso, e ficariam extremamente contentes em saber que sim, o mundo acabou. O universo deixou de existir. Dionísio reapareceu.
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O fim do tear e a espera interminável. Ser um deus significa que o tempo dura muito tempo, mesmo quando ele acaba. Ser humano significa dez dias de uma sensação bizarra de que algo está muito fora do lugar e esse algo é você, o que é quase uma dor de cabeça. Quase Esquizofrenia.
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"- Mas nós já estávamos mortos há muito tempo". Continuou Alana. Era quase uma vida, um pouco menos que se importar. A certeza de que sim, tudo acabaria, e logo, era como um isqueiro pro seu cigarro inexistente deixado na chuva.
Não acenderia nada, mas era fogo.
Olhou pra ele e viu seu reflexo no espelho.
Era linda mas isso era passado.
Pelo menos ainda tinha os cigarros.
O espelho jamais mentira, só ela, e agora mentir não importava mais.
Já estava magra demais. Cansada demais. Era tudo culpa dele e sabia.
Inteligente, mas louca. Tinha seus vícios. Abraçou os dele.
Só se abriu demais, o deixou entrar demais.
Morar dentro dela.
Quando você deixa de existir você percebe que era feito de madeira,e não de pedra como sempre acreditou.
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O namorado era importante em seu próprio universo. Em sua cabeça. Morto há muito tempo por um mal que fez questão de compartilhar com a mulher amada, e agora o mundo acabava.
Uma pessoa, duas sobrevidas. Antes do fim de tudo ele não estava sóbrio o suficiente pra perceber que morrera e era o centro de tudo; Eles se encontravam e se amavam. Compartilhavam as mesmas notas enroladas e as mesmas camas.
Um vicio e um sentimento.
Nem suas necessidades nem seus desejos importam depois do fim de tudo.
Os mortos não experimentavam nada.
Nem ele nem o chocolate que tomava existiam mais.
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Mesmo assim, o mundo vai acabar, e era essa a certeza que a movia.
Tantas pessoas paradas.
Tantas pessoas dopadas.
Era uma questão de conseguir a receita certa.
Ela era especial pois tinha certeza. Sim, nada importa.
Por um tempo determinado.
O fim de tudo acalmou seu coração aflito.
O fim de tudo era a última vida que lhe restava.
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Os deuses viveram milênios em agonia. Alana viveu dez dias tranquila.
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Ser humano e ter não existido e ter a certeza de que tudo teria fim era a combinação de fatores que tornava Alana tão especial.
Não foi o discurso que ela deu ao namorado que destruiu parte de sua vida, logo depois de terminar o chocolate.Nos dez dias de sobrevida esse foi o primeiro de muitos.
Alana disse a ele tudo que pensava. Expulsava-o de dentro de si, e isso era quase como se importar, mesmo que pra ele não fizesse diferença.
Uma casca oca aguardando o fim de tudo.
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Algumas pessoas ouviram Alana falar tudo que pensava. As que coincidentemente estavam na Avenida Paulista e experimentaram a não existência não se importavam, as outras só se perguntavam que remédio aliviaria essa sensação Benflogin, talvez algo mais forte, talvez ligar para o psiquiatra..Dionísio reapareceu.
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Os deuses sabiam o que as Moiras sabiam. As Moiras não sabiam mais nada e eles nem perceberam o fim de tudo começar.
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Fogos. 31/12/2012 na Avenida Paulista. 01/01/2013 nunca aconteceu.
As pessoas que estavam na Avenida Paulista quando Dionísio puxou a alavanca não vestiam branco.
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Alana observava o mundo encerrando, com o peito leve. Era isso, tinha que ser. Essa chuva castigante e esses fogos. A terra sem entender o que tinha feito e tudo tendo um fim, estouro após estouro,vida após vida. "Então não era uma dor de cabeça, quem conseguiu as melhores receitas aproveitou bem a sobrevida estranha", Dionísio não passou um momento de seu desaparecimento sóbrio, homens e deuses semelhantes, mas no divino tudo bate melhor.
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O namorado a encontrou. e se sentia quase completo. Perguntou a ela: "E nosso amor, onde fica?"
Alana nem se virou.
"Na pira funerária, pra queimar."
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Puxar a alavanca é deixar o Universo.se esvair. Acabar com tudo que se sabe.
Tudo que as Moiras sabem.
Tudo que os deuses sabem.
A Lista de Situações Desastrosas era uma piada, o universo só quer se divertir.
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Não se preocupar. Onisciência. Chega de existir, chega do universo. Os deuses se cansam e são eles que dão cabo de tudo. Sempre souberam que dariam.
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Era Zeus o alvo da piada. Criança mimada, sempre teve tudo, e agora acabaria com tudo por cansaço? Que bela forma de agradecer sua existência. Quem precisa de tear? O Universo sabia mais que Zeus. Alana sempre soube que a sobrevida logo acabaria. Mais que Zeus.
Ser um Deus e saber de tudo, aguardar pacientemente seu fim. Quase pedir clemência.Quase um paciente terminal.
Quando Dionísio puxou a alavanca tudo que restou foi Alana.
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O Universo gosta de si mesmo Gosta de pregar peças. Se diverte as custas de seus filhos.
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Talvez Alana tivesse recuperado sua vida, é difíicl saber depois de uma experiência de não existência.
Nem o Universo se lembra exatamente como é não existir.
Só de um pouco de lógica. De algo se encerrando.
Quando tudo acabou, exceto pra ela, Alana ficou triste por estar errada, mas quando se é um deus praticamente qualquer coisa bate bem.
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